Sofrimento Feminino, você sabe do que se trata? - Site oficial da escritora de livros Jussara Souza
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Sofrimento Feminino, você sabe do que se trata?

Sofrimento Feminino, você sabe do que se trata?

“Ele é avassalador quando chega. Sinto como se estivesse queimando por dentro. A temperatura do meu corpo aumenta. Um vulcão adormecido entra erupção. Meu ascendente em escorpião se aflora. Formam-se nuvens carregadas de tempestade. Tudo me incomoda, tudo me irrita. Percebo as minha feições mudarem. Minha pálpebra desce, minha testa enrijece, meus lábios se incomodam com a formação de um sorriso. É o ‘O Efeito Sombra’.”

O autor Eckhart Tolle entitulou esses sentimentos de Sofrimento Feminino. Mas você deve conhecê-lo também como TPM – Tensão Pré Menstrual.

 

Os sintomas que descrevi são emoções que tenho que lidar todos os meses. Talvez, por toda a minha vida. Sou testada e me sinto frustrada por não conseguir dominá-las. São sentimentos fortes, e confesso que ainda estou no nível básico nesse processo de autoconhecimento.

Em seu livro “O Poder do Agora”, o escritor Eckhart Tolle, descreve o Sofrimento Feminino como os sentimentos que trazemos, não somente do aspecto pessoal, mas também, de um coletivo acumulado na psique da humanidade por milhares de anos. Ele cita, como exemplo, povos inteiros que carregam em seu DNA o sofrimento coletivo de sua ancestralidade, devido à anos de lutas e violência.

A mulher representa uma parcela considerável desse grupo de subjulgados. Isso se deve, principalmente: à dominação dos homens sobre o sexo feminino, a escravidão, os estupro, os partos, as perdas de filhos, etc. Até mesmo nos dias atuais, mulheres, negros, homossexuais, dentre outros grupos, lutam por seus direitos, e principalmente, por mais respeito.

“O sofrimento físico e emocional, que para muitas mulheres precede e coincide como fluxo menstrual, é o sofrimento em seu aspecto coletivo despertando da sua dormência naquele momento, embora possa ser detonado também em outras ocasiões. Ele restringe o livre fluxo de energia vital através do corpo, da qual a menstruação é a manifestação física.”, declara Tolle.

No meu caso, os sentimentos sombrios aproveitam-se dos bons momentos que antecedem o meu sofrimento feminino. Na maioria das vezes sou pega de surpresa. Eles são como ondas. Primeiro, nascem e crescem como um sentimento bom, de pura felicidade. O meu coração vibra em pura gratidão. Vejo perfeição e sentindo em tudo. E, de repente… uma reviravolta de filme de suspense. A mente julgadora reclama por seu lugar de destaque.

Os primeiros a entrarem em cena são os pensamentos repetitivos. Em seguida, uma vibe negativa. Quem é a vítima? Meu marido, a pessoa mais próxima. Tudo vira pretexto para uma discussão. “Quantos copos você sujou para beber água?!”, este pode ser um motivo em potencial. Infelizmente, guardamos nossas palavras mais duras para as pessoas que estão ao nosso lado.

Segundo o autor, “normalmente, esse é um tempo de inconsciência para muitas mulheres porque são dominadas pelo sofrimento coletivo.” Essa carga de energia de sofrimento, toma seu espaço interior e finge ser você, ser eu. Mas não é. Não se deixe enganar.

A boa notícia é que esse período pode ser uma oportunidade de iluminação. Para Tolle, nos próximos anos muitas mulheres atingirão o estado de consciência plena durante esse período. Veja a dica de Tolle para ajudar a minimizar o sofrimento feminino:

“Quando você perceber que o período menstrual está se aproximando, antes mesmo de sentir os primeiros sinais do que é comumente chamada tensão pré-menstrual (o despertador do sofrimento coletivo feminino), mantenha-se muito alerta e ocupe o seu corpo mais que puder.Você vai precisar estar bastante alerta para agarrá-lo, antes que ele domine você. Por exemplo, o primeiro sinal pode ser uma grande e súbita irritação ou um lampejo de raiva, ou simplesmente um sintoma físico. Seja lá o que for, agarre-o, antes que ele domine o seu pensamento ou comportamento. Isso significa simplesmente colocar o foco da atenção sobre ele. Saber que se trata do sofrimento e, ao mesmo tempo, ser o conhecedor, o que significa perceber a sua presença consciente e sentir o seu poder.”

As palavras do autor foram o “remédio” que procurava fazia um bom tempo.

Por isso, não deixe que o sofrimento use a sua mente. O segredo é não ignorar os sentimentos. Por meio de uma atenção continuada, observe o turbilhão de emoções dentro de você. É uma boa forma de desarmá-lo.

 

Como Aprendi a lidar com o Sofrimento Feminino

 

 

Em resumo, a seguir, o passo a passo do meu Sofrimento Feminino. Geralmente, é isso que acontece:

Duas semana antes…

  • Tenho dias maravilhosos.
  • Sentimento de pura gratidão.
  • Tudo é lindo e perfeito. O Amor está no ar.

 

Uma semana antes (Aí que o “bicho pega”)…

  • Vontade de comer mais, principalmente, alimentos menos saudáveis e açúcar. (Costumo abrir exceções. Mas também, tento enganar esses desejos, senão vira desculpa para me desviar daquilo que prezo tanto – cuidar da alimentação.)
  • Meu corpo dá sinal que a menstruação está por vir. Sinto mais sono. Raramente tenho cólicas, mas me compadeço de amigas que as têm.
  • O odor da minha urina muda. O intestino fica preso, mas solta durante o período.
  • Percebo lampejos de raiva, irritação e intolerância. Sou mais crítica.
  • Tenho uma vontade “louca” de discutir a relação.
  • Fico mais emotiva. Choro por qualquer coisa.
  • Quero trazer todos os cachorros de rua pra casa e salvar o mundo.

 

Minhas ações para minimizar os sintomas:

  • Ritos Tibetanos e meditação. Muita meditação!
  • Tenho sempre a mão livros e mensagens sábias. Recorro à eles sempre que algo me tira do sério. Me ajudam a permanecer consciente. (Meu livro de cabeceira para tais momentos é o livro “Palavras de Sabedoria”, de sua Santidade – O Dalai Lama.)
  • Fico mais calada. Evito ao máximo uma discussão.
  • Quero ficar quieta, sozinha, curtindo a minha presença. É uma maneira de observar o meu estado atual.
  • Evito fazer atividades “forçadas”. Digo mais “Não” do que “Sim”, sem remorsos.
  • Evito ler ou assistir noticias e mensagens negativas – sobre brigas, ódio, guerras,… (Gente chata então…bem longe, apesar de já evitá-las faz algum tempo.)
  • Escuto músicas que tocam o meu coração. Me emociono a todo momento.
  • Adoro ver um documentário inspirador ou um romance. Choro horrores. Lavo a alma. É ótimo.

 

Foi através dessa abordagem do livro “O Poder do Agora” que passei a compreender e ficar mais atenta ao meu Sofrimento Feminino. E o melhor é que posso compartilhar esses sentimentos com meu marido.

Hoje, costumo alertá-lo quando de sua chegada. Assim, podemos montar um plano de ação. No caso dele, de defesa; capacete (no caso de algo sair voando), protetor auricular… No meu caso, reponho o estoque de papel higiênico (usados como lenço de papel) e chocolate, muito chocolate.

Convivendo todos esses anos com o meu sofrimento, aprendi que não sou perfeita. Temos que lidar com as  frustrações, pois a iluminação é privilégio de poucos. Por enquanto, sigo evoluindo com as minhas imperfeições.

Namastê.

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Escritora, casada, ex-workaholic. Adora bichos e viajar. Descobriu-se escritora aos 39 anos de idade. Em 2015, seu Retorno de Saturno “particular” foi um incentivo para uma reviravolta na vida. As dificuldades no casamento e as insatisfações com a profissão a levaram para esse mundo encantador da escrita. Autora de Os Opostos se Distraem e Descubra seu Propósito.

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