Resenha: As lições que aprendi com o livro “Aprendizados” de Gisele Bundchen - Site oficial da escritora de livros Jussara Souza
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Resenha: As lições que aprendi com o livro “Aprendizados” de Gisele Bundchen

Resenha: As lições que aprendi com o livro “Aprendizados” de Gisele Bundchen

“A vida pode ser mágica. Mas para vivê-la bem demanda trabalho, foco, paciência, compaixão, determinação e disciplina”

Quem me conhece sabe que tenho uma grande admiração por Gisele Bundchen. Ela é uma fonte de inspiração. Desde o anúncio do lançamento do seu livro, Aprendizados: minha caminhada para uma vida com mais significado, fiquei na expectativa para adquirir meu exemplar. Coloquei na agenda, alerta no meu celular, no do Multitarefeito… Assim que saiu a pré-venda da versão em inglês não perdi tempo e reservei meu e-book. Até lá, fiquei contanto os dias para 02 de Outubro de 2018.

Cada pessoa se identifica de maneira muito particular quando lê uma obra autobiográfica ou de desenvolvimento pessoal. Não é diferente comigo. E não foi diferente quando li o livro de Gisele.

As pessoas pensam que as modelos vivem rodeadas de uma atmosfera de puro glamour. Pode até ser que Gisele conviva nesse ambiente. No entanto, ela confessa que no começo não havia nada de glamouroso.

No início da carreira, ela era “aquela garota”, simplesmente. O tratamento era bem diferente dos dias atuais. “ […] algumas pessoas do meio me diziam que os meus olhos eram muito pequenos e que meu nariz e peitos eram muito grandes”. Por causa dos comentários, Gisele revela que não demoraria para começar a se tornar cada vez mais exigente consigo mesma.

A ubermodel conta que não era confiante com o seu corpo. Por isso, para relaxar durante as sessões de fotografia ela movia e pulava. Ficou conhecida como a Sporty Spice – fazendo alusão a Melanie C, das Spice Girls.

Gisele gosta de deixar claro que o mundo da moda não a defini. Ela gosta mesmo é de uma camiseta básica e um jeans confortável. E afirma que não é modelo, mas faz modelagem.

Me identifiquei com a Gisele em algumas passagens do livro. Claro que, não na aparência. Fisicamente, a ubermodel e eu realmente não temos nada em comum. Ela nasceu no Sul do país, loura, alta, cabelos esvoaçantes, ondulados naturalmente. Eu nasci na outra ponta do Brasil, no Nordeste. Sou morena, estatura mediana, cabelos enrolados e escuros ( na tentativa frustada de me livrar da progressiva). Na verdade, minha identificação com Gisele é por outro motivo. Está ligado ao surgimento de nossos conflitos internos, que nos fizeram mudar o estilo de vida. O chamado “Despertar”.

Em seu livro, ela revela que o ponto chave do seu despertar foi uma crise de pânico, aos 20 anos. Nesse período ela até pensou em tirar a sua própria vida. Procurou ajuda médica para confirmar os sintomas e, ao invés de tomar remédios (o que seria “normal”, para muitos), decidiu praticar yoga – como caminho de tratamento.

Sempre digo que o yoga me conduziu ao meu “Eu”. Foram 39 anos me afastando dele. Até o dia do meu despertar. A yoga me apresentou ao meu corpo. Passei a respeitá-lo mais.

Com o yoga, conheci a meditação. Aprendi a respirar. Aprendi a relaxar. E a usar as técnicas de respiração na vida cotidiana. O marido não ligou avisando que vêm almoçar? Três respirações profundas. O carro de trás buzinou enquanto você está se preparando para sair no sinal verde? A vontade é… Cinco respirações “bem” profundas. E assim vai… Ah, o que seria de mim sem as “benditas” respirações.

Em especial, três temas mencionados no livro “Aprendizados” de Gisele, me chamaram a atenção.

 

PRIMEIRO: DISCIPLINA

“Eu nunca disse a mim mesma: ‘Meu objetivo é ser uma ótima modelo’. Pelo contrário, minha ênfase era ser o melhor no que faço, o que significa dar o melhor de mim ”.

Tão logo se viu sozinha em outro país (mudou-se para Nova York aos 16 anos), Gisele percebeu que tinha que aprender a se virar. Criada em uma família com seis meninas (imagina quanta calcinha pendurada no banheiro!), pais trabalhando em tempo integral, ela conta que aprendeu a ser disciplinada desde cedo.

A mãe foi a responsável por essa importante lição. Além de trabalhar como caixa de Banco, a mãe de Gisele acostumava acordar bem cedo para organizar as coisas da casa e da família antes do trabalho. E aos finais de semana, ficava um bom tempo na cozinha preparando a comida da semana. E claro, todos tinham que contribuir.

A disciplina ajudou Gisele a mudar seus hábitos quando surgiram os sintomas da crise de pânico, na época que estava em plena ascensão na carreira. Era uma das mais bem pagas “Angels” da Victoria Secrets. Após o diagnóstico da doença, além de iniciar o yoga, largou o cigarro, começou a se exercitar e mudou sua alimentação completamente.

E tem mais, para quem acha que ela é vegetariana só por causa de sua luta pelos bichos e a natureza, está enganado. Gisele é adepta da comida saudável e orgânica. Porém, sem rigidez. Revela que tentou o vegetarianismo, mas seu corpo não se adaptou. E assim, ela o respeitou. Come carne com moderação, principalmente, peixes e aves. Chamo isso de bom senso.

Ela relaciona a disciplina com o dar o melhor de si em tudo que faz. E diz em seu livro que sempre teve facilidade em encontrar trabalho. Isso, segundo a ubermodel, não tem nada ver com a sua beleza, e sim com a disciplina e seu 100% de comprometimento. Conta que procurava tornar o ambiente alegre, ser educada e agradável com as pessoas.

Agora me diga, quem não gosta de ter por perto pessoas cheias de vibrações positivas e humor?

Lição que aprendi: Sempre procurei ser uma pessoa disciplinada, mas, por vezes, ainda me pego dispersa no trabalho. Acredito que isso se deve a pouca prática com as rotinas do meu propósito. Ler o livro de Gisele me alertou que disciplina é a chave da conquista, em qualquer área.

 

SEGUNDO: RELACIONAMENTOS

“ A qualidade de sua vida depende da qualidade de seus relacionamentos”.

O conselho acima foi dado por seu pai no auge da carreira no mundo da moda.

Li essa frase várias vezes. Ela me tocou. Profundamente. O Tema “qualidade nos relacionamento” já ronda a minha vida desde que escrevi os Opostos se Distraem. Antes de estar desperta para isso, eu via o outro com olhar puramente julgador. Hoje tenho comigo que nenhum relacionamento saudável (digo qualquer tipo de relação) sobrevive a esse tipo de atitude.

“[…], a melhor maneira de nos conhecermos é através do relacionamento com os outros”, diz ela.

Quando começou a ganhar dinheiro, ela ajudava qualquer pessoa que lhe pedia auxílio financeiro. Mas percebeu que algumas se aproveitavam de sua “boa vontade”. Por conta disso, não teve outra alternativa senão começar a dizer “não”. De início, as pessoas ficavam magoadas, e ela ficava mal. Mas, com o tempo, passou a filtrar as pessoas, suas amizades.

Segundo Gisele, o estudo da Cabala mudou sua atitudes de altruístas para alteristas. O altruísta é voltado totalmente para o interesse alheio, deixando de lado os seus próprios. Enquanto que, o alterista olha pelos outros, sem se esquecer de si mesmo. O autor Adam Grant define ambos os temas de forma sábia em seu livro “Dar e Receber”.

Existe um conceito na Cabala, citado por Gisele em seu livro, o qual diz que as pessoas precisam trabalhar o seu processo de transformação afim de garantir a sua luz. Ou seja, se não deixamos a outra pessoa conquistar ou resolver suas questões particulares, estamos dando à elas o “Pão da Vergonha”.

“Pão da vergonha” significa uma sensação desagradável que se sente ao receber alguma coisa boa, sem porém ter feito nada para merecer aquilo” (Shmuel Lemle).

Aos poucos, Gisele começou a compreender as diferenças entre outras culturas e pessoas, e que deveria se adaptar. Não mudou seu jeito vibrante de ser, apenas aprendeu a lidar com tais diferenças. Mesmo assim, diz ter se tornado mais observadora e cuidadosa com àqueles que se aproximam dela e da família.

Ainda sobre relacionamentos, o relato de Gisele sobre sua cachorrinha, Vida, me arrancou lágrimas.

“Uma das relações mais longas e importantes da minha vida não foi com outra pessoa. Foi com um cachorro. Uma cachorrinha linda, engraçada, brincalhona, amorosa e irresistível chamada Vida. ”

Enquanto lia, pensava nos meus “Três Arcanjos” – Mel, Tim e Shiva. E o quanto eles são importantes na minha vida, da mesma forma que Vida foi para Gisele. Ela conta que a cachorrinha Vida foi seu Anjo da Guarda, sua companheira fiel e verdadeira. Sua presença acalmava a solidão e a saudade que tinha da família.

Vida também trouxe transformações. Gisele teve de se mudar do apartamento que dividia com outras modelos, pois pets não eram aceitos no local, para um quarto em um bairro barra pesada de Nova York. Nesse lugar, tinha que dividir o banheiro com os outros moradores. Ficou por lá por apenas uma semana, até que sua agente a ajudou a encontrar um apartamento melhor. Dessa vez, só ela e Vida.

“[…] tudo que eu realizei na minha carreira ou vida não teria sido possível sem a Vida. Vida estava sempre lá por mim. Ela foi a única constante na minha vida.”

Vida partiu em 2012, aos 14 anos. Até hoje, Gisele se emociona ao falar do seu “Anjo da Guarda de quatro patas”

 

Lição que aprendi: Existe uma frase que diz “Você quer ser Feliz ou quer ter Razão?” Hoje, escolhi ser Feliz. Ah!, e aqueles que não gostam de pelo de cachorro na roupa, já vou avisando, nem precisa me visitar.

 

TERCEIRO: FAMÍLIA E MATERNIDADE

“Eu sou eternamente grata a minha família, porque sem eles eu não seria quem eu sou.”

Gisele viveu toda a sua infância em Horizontina, município de menos de 20 mil habitantes, no Rio Grande do Sul. Teve uma vida simples, subindo em árvores, brincando na rua, visitando o sítio dos avós e levando para casa os cachorros e gatos abandonados que encontrava pela rua.

Fala com carinho dos pais e das cinco irmãs. Todas tinham suas tarefa em casa. “Aos oito anos, lembro de trocar as fraldas da irmã Fafi [ a caçula da família Bundchen] e depois ajudar minhas irmãs mais velhas a fritar empanadas na cozinha que tínhamos ajudado nossa mãe a fazer do zero…”

Ela conta que sempre eram elogiadas pelos pais quando faziam as coisas de maneira correta. “Boa Garota”, eles diziam. Essas simples palavras eram um grande incentivo. Não havia a promessa de passar na loja de brinquedo, passeio no shopping para comer McDonald, ou coisa desse tipo – artifícios muito usados pelos pais de hoje. Simplesmente, “Boa garota”.

Dentre as cinco irmãs, quatro trabalham diretamente com Gisele, mais o pai. Juntos, ela e o pai, coordenam o projeto Água Limpa, em Porto Alegre. Uma iniciativa para limpar os rios da região.

“Acredito que todos os nossos relacionamentos – incluindo nossos casamentos ou parcerias – chegam até nós para apoiar nosso crescimento e nos dão a oportunidade de aprender a criar felicidade e satisfação.”

Sua relação com o marido Tom Brandy é de muita cumplicidade. Eles se completam. Gostam de cuidar da alimentação, do corpo, e conversam muito sobre a educação dos filhos.

A respeito da maternidade, o que mais me impressionou foi o amor que Gisele tem pelo filho de Tom Brandy, Jack, com a atriz Bridget Moynahan. A notícia da gravidez da ex-namorada de Tom veio quando eles estavam juntos fazia apenas 2 meses. A maneira como Gisele lidou com a situação e acolheu Jack é de uma sensibilidade exemplar. Ela fala dele como se o tivesse gerado, e o trata como uma segunda mãe. Senti isso em suas palavras.

Como mãe, Gisele leva a série a educação dos filhos. Ela preza o respeito e a disciplina. Achei super interessante o quadro branco pendurado na cozinha, usado para listar as regras e tarefas das crianças. Se Benny e Vivi se comportam bem durante o dia, ganham estrelas, caso contrário, permanece um espaço vazio no quadro. Me lembrei da época de criança na escola primária e da super Nanny. Essa maneira de educar super funciona, ela garante. Dica anotada!

O relato de seu período de gestação é outra inspiração do livro. Para aquelas que estão pensando em ser mãe (como eu!), Gisele tem muito para ensinar. Benny e Vivi nasceram em casa através do parto humanizado, com a ajuda de doulas. Tanto a gestação quanto o momento do parto, relatados no livro, são emocionantes.

Lição que aprendi: Hoje, quero estar cada vez mais perto da minha família, dos meus pais. Cada momento conta muito. Não sabemos quando vamos partir. É preciso dizer eu te amo, tenho saudades, mandar emoji de coração… Apesar de todas as dificuldades, divergências – presentes em qualquer família – , são eles que estão do nosso lado no momento que mais precisamos.

Gisele deixou as passarelas em 2016. Mas continua atuando no mundo da moda. Seu foco atual são os trabalhos ligados à conscientização da preservação da natureza e dos seres que nela habitam. Participou do documentário “O Começo da Vida”, sobre a importância dos primeiros anos de vida de uma criança. O documentário foi o trampolim para a criação da Believe Earth. Uma instituição voltada a transformar o mundo em um lugar melhor para se viver. Além de atuar em vários projetos, lá no site, você encontra várias dicas sustentáveis no site – como economizar água, como compostar lixo, como reduzir plástico, etc. Vale a pena conferir!

Todas as minhas expectativas a respeito de Gisele foram superadas após ler seu livro. Foi maravilhoso saber de sua escolha de trilhar o caminho rumo ao autoconhecimento. Foram tantas lições… O que dizer? Apenas que precisamos de mais “Giseles” pelo mundo.

Namastê.

P.S.: 1) Todas as fotos de Gisele foram tiradas de seu livro.

 

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Escritora, casada, ex-workaholic. Adora bichos e viajar. Descobriu-se escritora aos 39 anos de idade. Em 2015, seu Retorno de Saturno “particular” foi um incentivo para uma reviravolta na vida. As dificuldades no casamento e as insatisfações com a profissão a levaram para esse mundo encantador da escrita. Autora de Os Opostos se Distraem e Descubra seu Propósito.

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